USP abriga centro internacional de competência em software livre

Unidade faz parte do projeto QualiPso, da Comissão Européia. Outros dois centros serão criados no Brasil ainda este ano.

O Brasil tem um Centro Internacional de Competência em Software Livre em operação. Ele está em funcionamento no IME (Instituto de Matemática e Estatística) da USP (Universidade de São Paulo) e a previsão é que outros dois sejam criados em 2009 - na USP São Carlos, interior de São Paulo, e na UFBA (Universidade Federal da Bahia), em Salvador, Bahia.

O centro do IME é membro do projeto QualiPSo (Quality Platform for Open Source Software), iniciativa da Comissão Européia cuja proposta é definir e implementar tecnologias, padrões e políticas para facilitar o desenvolvimento e o uso de componentes de software livre pela indústria com a mesma confiabilidade que os programas proprietários têm atualmente.

Pelo menos inicialmente, as unidades de São Carlos e Salvador farão parte do QualiPso de forma indireta, já que serão parceiros do centro já estabelecido. Segundo Fábio Kon, coordenador da unidade do IME, o projeto funciona como um pólo onde são realizados projetos de desenvolvimento de software livre, eventos e cursos sobre o tema. O objetivo é incentivar o uso de programas de código aberto dentro e fora das universidades.

"Achamos que se congregássemos esforços teríamos mais sucesso em transferir para a sociedade o nosso conhecimento de mais de 15 anos com software livre", relata Kon, que contabiliza uma experiência do departamento de Ciência da Computação da USP com software livre de mais de 15 anos.

O apoio do QualiPSo se dá por meio da oferta de bolsas de estudo para estudantes, fornecimento de equipamentos, como servidores, e viagens para a Europa, para a troca de experiências com os centros de Berlim e Madri, que também fazem parte do projeto. Segundo Kon, ainda em 2009 outros dois centros, na França e na Itália, passem a integrar o QualiPSo.

Na campus paulistano, cerca de 20 professores e 50 alunos - de graduação, mestrado e doutorado - desenvolvem projetos ligados a open source.

"Há desde trabalhos de desenvolvimento de software e, no outro extremo, um aluno estudando aspectos legais de software livre, como funcionam as licenças em relação à legislação brasileira. Outros estão avaliando como criar modelos de negócio em torno de software livre", resume Kon, reforçando que o centro também conta com grupos de pesquisa científica.

Além do apoio da QualiPSo, o centro do IME também recebe recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que liberou verba para a construção do prédio que abrigará o centro, o que deve acontecer este ano. Por enquanto, a unidade funciona nas instalações do IME.

"Gostaríamos também de ter o financiamento da indústria brasileira de software, mas para isso precisamos encontrar projeto que seja interessante para ambas as partes", diz o coordenador. "Nos países desenvolvidos existe uma relação muito próxima entre empresa e universidade. No Brasil, isso ainda engatinha", analisa.

No site do centro é possível encontrar cerca de 10 projetos desenvolvidos pelos alunos que, normalmente, são mais ligados à ciência. Mas, ressalta Kon, isso não quer dizer que o centro esteja desinteressado em trabalhar de forma mais próxima com a indústria de TI.

"Somos cientistas e técnicos, temos pouca experiência em comercializar, mas temos total intresse em incentivar o empreendedorismo entre nossos alunos".


Fonte: pcword

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