70.000 Lan Houses


No dia 28/11/2008, durante o evento Crimes Digitais II, realizado na cidade São Paulo, que contou de um lado com a participação de representantes do governo, entidades de classe, juristas e delegados, e do outro lado executivos de diversas empresas de ramos como finanças, varejo, saúde, telecom, serviços e indústria, foi dada uma informação que não pode ser deixada de lado.

No Brasil já existem setenta mil casas de acesso à internet. São as famosas lan houses e cybercafes.

Vamos então agora fazer uma conta de chegada utilizando números módicos.

Considerando que cada um destes estabelecimentos possua miseravelmente meia dúzia de computadores e por hora tenha quatro usuários online, temos que:

A cada dia de serviço prestado nas, de praxe, oito horas comerciais passam em média 32 internautas por cada lanhouse. Multipliquemos este número pelos 70 mil.

Isso mesmo! São 2.240.000 internautas. Dois milhões e duzentos e quarenta mil usuários de internet que todos os dias "tratam" de (se) auto incluir as classes C e D na realidade digital. Realidade esta que já proporcionou a classe C suplantar numericamente as classes A e B na audiência da internet brasileira.

E para quem gosta de números vamos considerar apenas os dias úteis de segunda a sexta-feira.

  • Mês - 49.280.000 de internautas
  • Ano - 591.360.000 de internautas

Isto sem se levar em conta outros tipos de acessos que estão disponíveis em salas vips de aeroportos e hotéis, onde na grande maioria das vezes a senha de acesso ao PC e a web não estão sob nenhuma política de segurança da informação. O computador está liberado para quem quiser usá-lo antes de pegar o avião.

Imagine a situação de um crime cibernético ocorrido a partir de uma destas salas vips de aeroporto onde a policia conseguiu rastrear IP, data e hora do incidente. E ao questionar a companhia aérea quais eram os destinos dos passageiros que ali estavam utilizando a internet naquele exato momento obtém como resposta que todos voaram para a Lituânia. E aí?

Um caso pitoresco e lamentável que foi mencionado durante o evento foi de uma grande empresa do ramo de fast food ter se visto obrigada a terminar com o acesso web que promovia no interior de suas lanchonetes. Pois suas lojas estavam servindo como ponto de partida para crimes digitais de toda a espécie.

Encarando a situação pelo viés da segurança surgem algumas questões:

  • Como garantir e preservar seguro o acesso desta população que faz uso da lanhouse?
  • Como evitar que, da mesma maneira das lanchonetes, as lanhouses sirvam de ponto de partida para o ilícito?
  • Como preservar a imagem de um serviço comunitário que, além de gerar empregos, desempenha importante papel de cidadania e inclusão digital?

Quando o malfeitor sente a presença da impunidade também fica à vontade para praticar seus atos nefastos.

Tudo bem que alguns cybercafés exigem que seus usuários se identifiquem antes de iniciarem o acesso. Mas não são todos. E o pior, o que não falta por aí são documentos falsos e/ou roubados. Então qual seria a melhor forma para, pelo menos, minimizar a incidência de crimes e intimidar os bandidos em seus maus intentos?

Quando no mundo "real" tentamos ao máximo "dizer" ao alheio como estamos precavidos e protegidos em nossas casas e carros. Instalamos alarmes, "sorria você está sendo filmado", cachorros, etc, e tal. O bandido sempre prefere o alvo mais fácil e mais vulnerável. No mundo virtual é e deve ser a mesma coisa.

Na Suíça, por exemplo, através de lei conseguiu-se disseminar a cultura de quem se apodera indevidamente do acesso wifi do vizinho está incorrendo em crime. E quem possui o roteador sem fio em casa e não o criptografa também comete crime.

Na Suíça...

Há muito que computador virou comoditie com o passar do tempo. E todos os periféricos também. Software e tudo o mais estão cada vez mais populares e socializados. Nunca o usuário teve tanta intimidade com a maquina.

Sugeri então que cada lanhouse apenas permitisse o início do acesso à web após o seu cliente se identificar biometricamente. Seja através da impressão digital, leitura da íris, dimensões da face ou qualquer outra técnica que seja. Quem pretendia se valer da impunidade do anonimato do acesso passará a pensar duas vezes.

Vejamos o caso de sucesso dos planos de saúde que sofriam com o alto índice de sinistralidade pelo fato de ciclano emprestar a carteirinha do plano para fulano. Uma farra! Hoje para se consultar na rede própria do plano de saúde basta pousar o dedo no leitor de impressões digitais instalado no micro da recepção da clínica e pronto.

Nas academias de ginástica, clubes e empresas nem se fala. Muitas já utilizam o mesmo método há no mínimo uns quatro anos.

Para variar mais uma vez encaramos a mudança da história em um momento transitório onde paradigmas deixam de existir para outros nascerem em um piscar de olhos.

Sempre haverá uma brecha. Uma falha que será explorada no mundo cada vez mais virtual das mídias convergentes. Mas seguimos tentando aperfeiçoá-lo para se transformar em um lugar mais seguro.


fonte: imasters

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